Wednesday, February 20, 2013

E a batalha continua.

Em Setembro decidimos tentar engravidar de novo. Essa foi uma jornada dolorosa, o sentimento de que falhei e sem saber a razão, onde havia sido o erro. Decidimos voltar à clínica onde fizemos o procedimento e conversar com o médico.
Marcamos a consulta e, como teríamos que esperar alguns dias, continuei orando para tomar a melhor decisão. Recebi um e-mail do meu tio Lima dizendo haver lido no jornal sobre um médico na Universidade de Utah que havia sido considerado o melhor no país no procedimento. Senti que minhas orações estavam sendo respondidas. Mandei um e-mail imediatamente para a Universidade para marcar minha consulta. No dia seguinte, recebi o telefonema marcando a consulta com o Dr. Hammoud. Não era o mesmo médico cujo nome estava no jornal, mas ele é o chefe do departamento e isso me deixou feliz. Ambas consultas seriam no mesmo dia: na clínica pela manhã, na universidade a tarde.
Scott brincou dizendo que se escolhêssemos fazer com a Universidade, o bebê seria Utes (referindo-se ao time de futebol americano universitário de quem ele é fã).
Antes da consulta, abaixei minha cabeça e orei a Deus pedindo discernimento e sentimento de paz ao seguirmos nesse processo. Minha fé aumentou durante a tribulação. Senti que não estou sozinha, que há um Deus olhando por mim e guiando-me. E foi com esse sentimento que segui para a primeira consulta.
O médico disse que tanto meus óvulos quanto os espermatozóides do Scott tinham problemas. Ele disse que meus óvulos eram escuros e de má formação e que os espermatozóides do Scott eram pequenos e de má formação. Ele disse que poderíamos ter sido expostos a algum tipo de componente químico ou ter sido apenas uma má amostra. Logo pensei em outros problemas pelo qual passamos durante o período, mas também senti que poderia ter sido algum erro médico, mas não sabia qual. Como poderia, dentro de 22 óvulos retirados de mim, todos serem ruins? E a dúvida pairou sobre minha mente. Ele disse que faríamos a mesma coisa, tudo de novo para ver no que daria. Hã?!
A tarde, ao chegarmos na universidade, Scott e eu estávamos ansiosos. Dr. Hammoud nos encontrou no consultório onde a enfermeira finalizava o questionário conosco. Ele começou outro questionário e nos explicou como seria feito o procedimento. Tadinho... mal sabia que seria bombardeado com tantas perguntas! Ele afirmou que não me hiper estimularia como aconteceu previamente. Ele disse que preferia obter no máximo 10 óvulos e que 27 (como ele contou) óvulos estimulados geralmente não geravam boas amostras. Falou sobre usar hormônio do crescimento durante o tratamento. Deu-nos índices e respondeu todas as nossas perguntas. E foi com o sentimento de paz e alívio que saímos do consultório.
Por causa de conflitos de trabalho tivemos que adiar o início do tratamento, mas comecei a tomar o anticoncepcional e as vitaminas que ele me recomendou. E com todas essas mudanças, nosso médico também mudou. Agora é o médico que meu tio tinha me falado (Dr. Petterson).
No dia 16 de Dezembro comecei a tomar a primeira dose de Lupron (para evitar ovulação). Tomei alta dosagem do medicamento durante quinze dias. Na véspera de Ano Novo saímos para jantar com meus sogros e voltamos mais cedo porque eu tinha que começar a estimulação naquele dia. Quatro injeções diárias. Scott me ajudou a preparar a medicação, mas ele estava nervoso para aplicar então eu mesma apliquei. Um dos remédios é bem grosso e dói muito para aplicar e logo após a aplicação percebi que havia deixado o local roxo. Scott então decidiu que faria as aplicações a partir de então. Foram dias de dor e ansiedade, mas nada comparado à primeira vez.
Meditação, massagem (oh, Laretta, muitíssimo obrigada!) e música relaxante. Se alguém quer uma dica aí está a fórmula para mim. Lupron me deixou SUPER ansiosa, mesmo quando não havia motivo algum. É um dos efeitos colaterais da medicação. Minha cabeça parecia não descansar, acordava no meio da noite suada, os sonhos eram super estranhos (não chegavam a ser pesadelos, mas super estranhos). Assim que começamos a estimulação, a dosagem baixou e isso diminuiu os efeitos.
Meus ovários começaram a crescer e as dores também. Manter-me positiva ajudou bastante e tive auxílio de todos ao meu redor. Eu tive apoio no trabalho e por isso sou muito grata. Meu amado marido que fez todas as aplicações e manteve-se tão positivo durante todo o tempo.
Nosso primeiro ultrassom estava marcado para segunda às 7:45 da manhã, mas na sexta recebi uma ligação remarcando nossa consulta para as 6:30 da manhã. Tivemos que sair de casa as 5:45 da manhã pois a consulta era no centro da cidade e moramos um pouco distante. Chegamos no prédio e não tinha ninguém. Ligamos e eles cometido um engano e marcaram a consulta para outro lugar. Esperamos até as 7:30 quando o médico e enfermeiras haviam chegado ao prédio. Sorte que tinha um Starbucks perto e pudemos ao menos comer alguma coisa.
Eles disseram que eu não estava pronta para a extração dos óvulos e que precisaria de mais alguns dias.
Em minha barriga parecia que eu estava carregando mais uns quatro quilos. Meu corpo estava dolorido, mas eu tinha energia fora do normal.
Recebi ligação da enfermeira informando que a extração seria no dia 11 de janeiro. Naquela noite tive que receber cinco injeções. AARGH!!! Mas, como Dr. Hammoud disse: "um obstáculo por vez".
Na noite do dia 10 tivemos uma nevasca. O trânsito estava caótico, acidentes para todos os lados, as ruas escorregadias e ainda cheias de neve. Eu estava correndo contra o tempo. 72 horas após tomar a injeção de HCG eu começaria a ovular e tudo estaria perdido. Haviam-se passado 71 horas e estávamos presos no trânsito. Tive um ataque quando o Scott decidiu ir por outro caminho que não o usual. Será possível que ele não estava entendendo a urgência de chegarmos à clínica? Ele explicou que estaríamos mais seguros se continuássemos na rodovia porque estavam mais limpas do que as vias normais.
Acidentes, carros atolados ou deslizando... Eu em pânico! Nunca vi tanta neve na minha vida. No mínimo uns 8 centímetros de neve.
Chegamos à clínica um pouco atrasados, mas não tanto quanto eu imaginei que seria. Bom trabalho, amor!
A enfermeira nos fez assinar uma papelada e depois colocou Scott no soro. Ele iria primeiro. O meu médico ainda não tinha chegado, mas estava no caminho. Scott estava nervoso por causa da biópsia e a enfermeira começou a conversar com ele sobre a época em que ele serviu no Exército, para onde ele foi, o que ele fez lá, experiências que ambos tiveram (já que ela também serviu, mas como enfermeira). De repente, não ouvi mais a voz dele e a enfermeira saiu da sala com um sorriso no rosto. "Missão cumprida", disse ela.
Então veio a minha vez. Soro na mão e lá fui eu para a sala. 3...2...1... e eu apaguei. Acordei aproximadamente uma hora depois, com Scott ao meu lado e um frio que invadia meu corpo. Outra enfermeira entrou na sala com um cobertor aquecido e o frio passou.
Chegamos em casa e ambos dormimos. Acho que dormi a tarde inteira. Nada mais a fazer, a não ser esperar para saber se os embriões são de boa qualidade e ser estão crescendo.



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